Uma nova tragédia no trânsito do centro de Itaperuna voltou a colocar em pauta um projeto antigo e adiado por sucessivas gestões: a tão falada Estrada do Contorno. Na tarde desta terça-feira (23), por volta das 17h29, o prefeito Murilo Gouvêa veio a público afirmar que pretende, finalmente, tirar a obra do papel. O anúncio acontece logo após mais uma morte registrada na área central da cidade, episódio que reacendeu a indignação dos moradores e o debate sobre a circulação de veículos pesados no perímetro urbano.
A Estrada do Contorno é uma reivindicação histórica de Itaperuna, considerada essencial para desviar o intenso fluxo de carretas, caminhões e veículos de carga que cortam o centro diariamente. A cidade, por sua localização estratégica no noroeste fluminense, funciona como entroncamento de rodovias importantes, como a BR-356 e a RJ-186, recebendo veículos que seguem para Minas Gerais, Espírito Santo e outras regiões do Rio. Sem uma via alternativa, todo esse tráfego pesado acaba escoando pelas ruas movimentadas do comércio, em meio a pedestres, motociclistas e ciclistas, criando um cenário de risco constante.
O debate sobre a construção da via de contorno não é novo. Há mais de duas décadas, lideranças políticas, comerciantes e moradores cobram providências para resolver o problema do trânsito no centro itaperunense. A cada acidente grave, especialmente aqueles envolvendo veículos pesados, a discussão volta à tona, mas as obras nunca saíram efetivamente do papel. Casos semelhantes já foram registrados em outros pontos da região noroeste, como em Italva e Cardoso Moreira, onde o tráfego de carretas em áreas urbanas também é motivo de preocupação. Em Itaperuna, no entanto, a situação é agravada pelo porte do município, que é o principal polo econômico e de serviços da região.
A repercussão da fala do prefeito Murilo Gouvêa foi imediata nas redes sociais e nas rodas de conversa da cidade. Parte dos moradores recebeu o anúncio com otimismo, acreditando que a tragédia recente pode, enfim, servir de empurrão definitivo para que a obra avance. Outros, no entanto, mostraram-se céticos, lembrando que promessas semelhantes já foram feitas por gestões anteriores sem resultado prático. Comerciantes do centro, que convivem diariamente com o transtorno do tráfego pesado em frente às suas portas, também manifestaram apoio à proposta, destacando que a retirada das carretas do miolo urbano traria mais segurança, fluidez e até mesmo valorização das áreas comerciais. Já entidades ligadas à segurança no trânsito reforçam que apenas obras estruturais conseguirão, de fato, reduzir a frequência de acidentes fatais na região central.
Agora, a expectativa fica por conta dos próximos passos da administração municipal. Para tirar a Estrada do Contorno do papel, será necessário definir traçado, garantir recursos, articular com governos estadual e federal e iniciar processos de licitação e desapropriação, etapas que costumam ser longas e burocráticas. Ainda assim, o pronunciamento do prefeito reacende uma esperança antiga entre os itaperunenses, que veem na obra não apenas uma solução para o trânsito, mas também um marco de desenvolvimento para toda a região noroeste fluminense. O Fofoca Noroeste continuará acompanhando os desdobramentos do caso e cobrando atualizações sobre o andamento do projeto, que pode mudar a cara da mobilidade urbana em Itaperuna nos próximos anos.
Fonte: Blog do Adilson Ribeiro