O deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), conhecido nacionalmente por se declarar ‘ex-gay’ e afirmar que foi curado da homossexualidade por meio da fé cristã e da leitura da Bíblia, voltou a ser destaque nas redes sociais após publicar um vídeo polêmico no último sábado (20). Nas imagens, o parlamentar aparece pilotando uma motocicleta sem capacete e ainda orientando o passageiro sobre como se portar na garupa, em uma cena que rapidamente se espalhou pela internet e chamou a atenção pelo desrespeito às leis de trânsito.
No vídeo divulgado em suas próprias plataformas digitais, o deputado conduz a moto com a cabeça totalmente descoberta e dá dicas de como o carona deve se equilibrar durante o trajeto, sem manter contato direto com o piloto. A conduta configura infração gravíssima segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que prevê multa, perda de pontos na carteira de habilitação e até a suspensão do direito de dirigir para quem trafega sem o equipamento de segurança obrigatório. A mesma regra vale para o passageiro, que também precisa estar devidamente protegido.
O episódio reabre o debate sobre o exemplo dado por agentes públicos, especialmente parlamentares que têm o dever de promover o cumprimento das leis. No interior do estado do Rio, particularmente em cidades do noroeste fluminense como Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana, Natividade e Porciúncula, o uso da motocicleta é parte essencial do cotidiano da população, seja para o trabalho, deslocamento entre distritos ou para tarefas rurais. Justamente por isso, campanhas educativas sobre o uso correto do capacete são frequentes na região, onde acidentes envolvendo motociclistas figuram entre as principais causas de mortes no trânsito, segundo dados de órgãos de segurança viária.
A repercussão do vídeo dividiu opiniões entre os internautas. Enquanto parte dos seguidores defendeu o deputado, alegando que se tratava de um momento descontraído, outra parcela cobrou responsabilidade e questionou o fato de uma autoridade eleita incentivar, mesmo que indiretamente, uma prática perigosa e ilegal. Para moradores do noroeste fluminense que convivem diariamente com a triste realidade dos acidentes nas estradas da região, como a BR-356 e a RJ-186, ver um parlamentar normalizar a conduta soa como um desserviço. Especialistas em trânsito alertam que conteúdos desse tipo podem influenciar jovens e novos condutores, que muitas vezes enxergam figuras públicas como referência de comportamento.
Até o momento, o deputado não se manifestou oficialmente sobre as críticas recebidas nem informou se será autuado pelos órgãos de fiscalização competentes. Vale lembrar que, mesmo sem flagrante presencial, o registro em vídeo pode servir de base para a abertura de procedimentos administrativos, conforme entendimento já consolidado em diversos estados brasileiros. Enquanto isso, autoridades de trânsito reforçam o apelo: o capacete é item obrigatório, salva vidas e seu uso não pode ser tratado como detalhe. Para os moradores do noroeste fluminense, fica o alerta de sempre — andar de moto exige responsabilidade, e nenhuma pressa ou comodidade vale mais do que voltar para casa em segurança.
Fonte: Blog do Adilson Ribeiro