Um homem de 35 anos foi preso em flagrante na manhã desta quarta-feira (10), no bairro Parque Prazeres, em Campos dos Goytacazes, acusado de espancar a companheira grávida e tentar forçá-la a interromper a gestação. A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campos, com apoio de agentes da 134ª DP, sob o comando da delegada Juliana Oliveira, após a vítima procurar a unidade policial para denunciar as agressões sofridas dentro da própria casa.
De acordo com as informações repassadas pela Polícia Civil, a mulher, de 25 anos, chegou à delegacia em estado de fragilidade e relatou ter sido alvo de uma sequência de violências físicas extremamente graves. Conforme o depoimento prestado pela vítima, o companheiro a atacou com socos e chutes direcionados especificamente à barriga, em uma clara tentativa de provocar o aborto contra a vontade dela. A jovem ainda teria sido ameaçada caso não aceitasse encerrar a gravidez. Diante da gravidade do relato e dos indícios apresentados, as equipes policiais se deslocaram imediatamente até o endereço informado e efetuaram a prisão em flagrante do suspeito, que foi conduzido à Deam para os procedimentos cabíveis.
O caso reacende o debate sobre a violência doméstica no noroeste e norte fluminense, regiões que registram índices preocupantes de agressões contra mulheres. Campos dos Goytacazes, maior cidade da região, concentra parte significativa dos boletins de ocorrência por violência de gênero, e a Deam local tem sido fundamental no acolhimento de vítimas. Casos envolvendo mulheres gestantes são considerados especialmente sensíveis, já que somam à violência doméstica o crime de aborto provocado sem consentimento, previsto no Código Penal com pena que pode chegar a 20 anos de reclusão, dependendo das consequências para a vítima.
A repercussão na comunidade do Parque Prazeres foi imediata. Moradores do bairro, localizado na região periférica de Campos, demonstraram revolta com a brutalidade do ataque e cobraram maior atenção do poder público a casos de violência contra a mulher. Entidades que atuam na defesa dos direitos femininos na região reforçam que situações como essa precisam ser denunciadas o quanto antes, e lembram que o medo e a dependência emocional ou financeira muitas vezes impedem que vítimas procurem ajuda. A coragem da jovem ao se dirigir à delegacia foi determinante para que a prisão fosse realizada ainda em flagrante, o que tende a fortalecer a investigação e o processo criminal.
O suspeito deve responder por lesão corporal no âmbito da violência doméstica, agravada pelo fato de a vítima estar grávida, além de tentativa de aborto sem o consentimento da gestante. A Polícia Civil deve dar continuidade às investigações para apurar se houve outros episódios anteriores de agressão e se a vítima já havia registrado ocorrências contra o companheiro. Mulheres em situação de violência podem buscar atendimento na Deam de Campos, acionar a Polícia Militar pelo 190 ou recorrer ao Disque 180, canal nacional de denúncias que funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e sigilosa. A rede de proteção também inclui o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), que oferece apoio psicológico, social e jurídico às vítimas no município.
Fonte: J3 News