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MPRJ investiga uso de entulho de lixão em obra pública em Búzios

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) abriu uma investigação para apurar suspeitas de irregularidades em uma obra de urbanização realizada pela Prefeitura de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. A apuração mira o possível uso de material retirado de um lixão na execução dos serviços no bairro José Gonçalves. Na manhã desta sexta-feira (26), agentes do Grupo de Apoio aos Promotores (GAP/MPRJ) cumpriram uma decisão judicial e recolheram documentos no prédio da administração municipal, dando início formal às diligências para esclarecer a origem dos insumos utilizados na intervenção urbana.

De acordo com as informações preliminares, a investigação busca identificar se realmente houve o emprego de resíduos descartados em lixão como base ou complemento para a obra pública, o que configuraria uma série de violações ambientais e administrativas. A apreensão de documentos é considerada uma etapa essencial para que os promotores tenham acesso a contratos, notas fiscais, projetos de engenharia, laudos técnicos e demais registros que possam comprovar — ou afastar — a hipótese de irregularidade. A ação foi conduzida com discrição pelos agentes do GAP, que atuam dando suporte operacional aos promotores em investigações de maior complexidade.

Embora Armação dos Búzios fique na Região dos Lagos, e não no noroeste fluminense, o caso chama atenção de moradores de todo o estado, inclusive de cidades como Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana, Santo Antônio de Pádua e Cambuci, onde investigações sobre obras públicas e descarte irregular de resíduos também já estiveram em pauta nos últimos anos. A utilização indevida de materiais provenientes de lixões em obras de pavimentação, drenagem ou urbanização não é fato isolado no interior do estado e costuma envolver questões ambientais sérias, como a presença de chorume, metais pesados e contaminantes que podem comprometer o solo e a saúde da população atendida pela intervenção.

Para os moradores do bairro José Gonçalves, a investigação acende um alerta sobre a qualidade e a segurança da obra que está sendo executada em sua vizinhança. Caso fique comprovado o uso de material impróprio, a Prefeitura de Búzios poderá ser obrigada a refazer parte dos serviços, além de responder a sanções nas esferas civil, administrativa e até criminal. A repercussão também levanta questionamentos sobre a fiscalização das obras públicas pelos órgãos competentes, sobre a destinação correta dos resíduos sólidos urbanos no município e sobre a transparência dos processos licitatórios envolvidos na contratação dos serviços de urbanização.

Até o momento, a Prefeitura de Armação dos Búzios não se manifestou publicamente sobre o conteúdo dos documentos apreendidos nem sobre o andamento da investigação conduzida pelo MPRJ. O Ministério Público deve agora analisar todo o material recolhido e, se necessário, solicitar perícias técnicas no local da obra para verificar a composição dos insumos utilizados. O Fofoca Noroeste continuará acompanhando o desdobramento do caso e trará novas informações assim que forem divulgadas pelas autoridades responsáveis. Casos como este reforçam a importância da atuação dos órgãos de controle e do acompanhamento da população quanto ao uso correto do dinheiro público em obras que deveriam beneficiar — e não colocar em risco — a vida dos moradores.

Fonte: Blog do Adilson Ribeiro

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