A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), do Rio de Janeiro, em parceria com a Polícia Civil do Paraná, deflagrou na manhã desta quinta-feira (18) a Operação Submissão, voltada a desarticular um esquema criminoso responsável pelo aliciamento de uma adolescente e pela divulgação de material de pornografia infantil na internet. De acordo com as investigações, os suspeitos manipulavam psicologicamente a vítima e chegaram a obrigá-la a praticar automutilação, em um dos episódios mais graves já investigados pela unidade especializada.
Segundo informações repassadas pelas autoridades, os criminosos atuavam por meio de plataformas digitais, onde abordavam menores de idade e estabeleciam uma relação de domínio emocional. A partir desse contato, passavam a exigir o cumprimento de ordens humilhantes e violentas, registrando tudo em imagens e vídeos que depois eram compartilhados em grupos fechados na rede. A adolescente vítima do caso teria sido coagida a se ferir como forma de provar obediência aos aliciadores, o que mostra a gravidade e a crueldade do método utilizado pelos investigados.
Crimes desse tipo vêm crescendo em todo o país, inclusive em cidades do interior fluminense. Na região noroeste do Rio de Janeiro, delegacias de municípios como Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana, Santo Antônio de Pádua e Natividade já registraram, nos últimos anos, denúncias envolvendo aliciamento de menores em redes sociais e aplicativos de mensagens. Conselhos Tutelares e o Ministério Público têm alertado pais e responsáveis sobre os riscos representados por jogos on-line, grupos anônimos e perfis falsos, que servem de porta de entrada para criminosos especializados em manipular crianças e adolescentes.
A Operação Submissão acende mais uma vez o sinal de alerta para famílias do noroeste fluminense, onde o acesso à internet se ampliou consideravelmente nos últimos anos, especialmente após a pandemia. Especialistas em segurança digital orientam que pais acompanhem as conversas e amizades virtuais dos filhos, conversem abertamente sobre os perigos da rede e fiquem atentos a mudanças de comportamento, como isolamento, queda no rendimento escolar, marcas no corpo e medo excessivo de mexer no celular na presença de adultos. Esses sinais, segundo psicólogos, podem indicar que o adolescente está sendo vítima de manipulação on-line.
A Polícia Civil reforça que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, pelo 197 ou diretamente nas delegacias da região. No noroeste fluminense, as Delegacias de Atendimento à Mulher e à Criança e ao Adolescente atuam em parceria com a DRCI sempre que há suspeita de crimes virtuais envolvendo menores. A operação desta quinta-feira segue em andamento, com cumprimento de mandados de busca e apreensão e possíveis prisões em diferentes estados, e novas informações devem ser divulgadas nas próximas horas pelas autoridades responsáveis pelo caso.
Fonte: Blog do Adilson Ribeiro